segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Fígado na visão Medicina Tradicional Chinesa - Conceição Trucom


Conceição Trucom *

Fígado: onde nasce o verdadeiro equilíbrio emocional.

Observe a proximidade do fígado com o coração e pulmões...

Na visão da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) o fígado, do ponto de vista energético, está estreitamente envolvido com a vesícula biliar (postura e decisões), mas também com os olhos (sentido da visão), ombros, joelhos e tendões (flexibilidade), unhas, seios e todo o aparelho reprodutor feminino.

Na MTC se diz que o fígado é o órgão mais importante para a mulher, assim como o rim o é para o homem. Praticamente todo o sistema reprodutor feminino é regido pelo fígado, responsável por alterações no ciclo menstrual, presença de cistos de ovário, miomas uterinos, corrimentos ou prurido vaginais, alterações da libido como frigidez e impotência. O fígado é responsável por manter o livre fluxo da energia total do corpo. Como o movimento do sangue segue o movimento da energia, dizemos que o fígado direciona a circulação do sangue e regula também o ciclo menstrual.

Mas seu papel mais importante, é sem dúvida, sobre o equilíbrio emocional. É o livre fluir da energia do fígado que vai nos permitir responder vitoriosamente aos desafios da vida, aos estímulos emocionais e afetivos, 24 horas por dia, cada segundo de nossa vida, sem parar.

Daí começa a responsabilidade e respeito que devemos ter pelo nosso fígado e sistema hepático. E, já podemos deduzir sobre o desgaste intenso ao qual este sistema é submetido no cotidiano da vida moderna. Pouco se sabe sobre sua importância e como auxiliar, ser cúmplice, do fígado nesta missão existencial: equilíbrio emocional e afetivo. Visão, flexibilidade, postura e decisões.

Pelo contrário, só pela má alimentação e sedentarismo, a cultura ocidental faz de tudo para fragilizar o sistema hepático. Os maus hábitos alimentares e de vida levam ao seu desequilíbrio funcional, que leva ao desequilíbrio emocional, que desencadeia mais maus hábitos alimentares e de vida. Este desequilíbrio energético pode se manifestar de várias formas. Dependendo da sua localização: insônia, enxaqueca, hipertensão, problemas digestivos, TPM, etc.

Os problemas ligados ao fígado podem ser por falta ou por excesso de energia circulante. Um bom exemplo de excesso é a raiva, mais exatamente a raiva reprimida e, num quadro de vazio energético, temos a procrastinação e o medo paralisante ou síndrome de pânico. A estagnação do fluxo de energia do fígado freqüentemente desequilibra o emocional, produzindo sentimentos de frustração e ira. Essas mesmas emoções podem levar a uma disfunção no fígado, resultando em um ciclo interminável de causa e efeito.

Como todas as emoções, boas ou más, passam pelo fígado, não devemos reprimi-las infinitamente. A repressão das emoções provoca um bloqueio da energia que leva ao excesso de calor no fígado. Cabe uma distinção entre sentimento e emoção. Os sentimentos geralmente fortalecem os órgãos e servem como mecanismos de defesa para o organismo. Uma certa irritação que nos leva a reagir diante de um ataque ou quando nos sentimos lesados, é diferente da raiva que é cega e destrutiva.

Os olhos são a manifestação externa do fígado. Em outras palavras, o fígado rege o sentido da visão. Assim, patologias da visão irão sinalizar alguma alteração no fígado. As mais comuns são: conjuntivites, olhos vermelhos sem processo inflamatório, coceiras, "vista" seca, visão fraca, embaçada ou borrada, terçol, pontos brilhantes que aparecem no campo visual e outros.

A lágrima é a secreção interna que ajuda a aliviar o fígado. Cuidado com olhos secos. Daí vem a importância do exercício de “piscar os olhos” (sempre – não esquecer) e de não reprimir o choro, embora nem sempre seja conveniente socialmente. Mas, acredite, conter o choro faz mal à saúde. Ah! Uma forma divertida de chorar/lacrimejar é deixando o riso fluir, acontecer no seu dia-a-dia, na sua vida.

As unhas são outra manifestação externa das condições do fígado, e as suas deformidades ou a presença de micose sugerem algum comprometimento do fígado ou desequilíbrio prolongado da sua energia.

O fígado rege as articulações do ombro e joelhos e também os tendões de modo geral. Assim sendo, as bursites e dores nos joelhos sem causa aparente, são sinais de comprometimento da energia do fígado. As tendinites e os estiramentos freqüentes também estão neste quadro.

Todo órgão está associado a uma víscera que, no caso do fígado, é a vesícula biliar. Resumidamente, a vesícula atua mantendo o equilíbrio postural. Todos os quadros de tonturas, vertigens, labirintites estão ligados a ela. Rege a articulação tempero mandibular (ATM). Todas as tensões que ficam retidas no fígado podem ser descarregadas nesta região e produzir o bruxismo, que é um quadro de ranger os dentes, que se manifesta mais freqüentemente durante o sono.

Metafisicamente a vesícula biliar comanda a capacidade de tomarmos decisões assertivas. Uma vesícula desequilibrada se manifestará na forma de indecisões ou mesmo desorientações, perda de rumo.
E, para resumir e partir o mais rápido para a ação de cumplicidade "de bem com o fígado":
- desintoxicar-se diariamente com o aumento do consumo dos alimentos de origem vegetal, maduros, crus, idealmente orgânicos e integrais;
- desintoxicar-se diariamente praticando a terapia do riso, as brincadeiras, as artes, o lazer;
- praticar atividade física moderada diariamente. Vocês não têm noção de como este hábito é vital para o livre fluxo de energia do fígado;
- os sabores ácido e amargo, assim como os alimentos de cor verde são os maiores aliados do fígado.

 Entretanto, na primavera, evite exagerar nos sabores ácidos e picantes.

- evitar intoxicar-se com alimentos muito gordurosos (pela qualidade, gordura animal e óleos refinados, como pela quantidade), frituras, açúcar, café e álcool;
- evitar vida sedentária e estressante, o mau humor, ilusões e grandes expectativas. Medite e viva na REAL.

Fontes: Alimentação Desintoxicante - Conceição Trucom - editora Alaúde.

Confira na AGENDA sobre nossas Oficinas da Linhaça e do Limão, além dos cursos e palestras da Alimentação Crua e Viva.
 
(*) Conceição Trucom é química, cientista, palestrante e escritora sobre temas voltados para o bem-estar e qualidade de vida.

Reprodução permitida desde que mantida a integridade das informações, citada a autora e a fonte www.docelimao.com.br 

Recomenda-se também a leitura dos livros O poder de cura do LimãoA importância da LINHAÇA na saúde - ambos editora Alaúde e, Mente e Cérebro poderosas - editora Pensamento-Cultrix. O que possibilitará a prática dessa filosofia de vida com responsabilidade. 

Fonte: Site "Doce Limão" - Clique neste link acessado hoje (15/04/2013), para conferir:

sábado, 23 de junho de 2012

ORDEM ROSACRUZ (AMORC) - MOVIMENTO PELA ECOLOGIA ESPIRITUAL




Vídeo do discurso do Imperator Frater Christian Bernard no Senado







Clique neste link para vê-lo no Youtube




A Ordem Rosacruz não doutrina,
orienta.
Seus ensinamentos são instruções para as pessoas usarem  livremente; usarem por  livre
decisão de sua vontade, a fim de desenvolverem os poderes de sua mente e alcançarem
uma compreensão iluminada da VIDA, do UNIVERSO e do SER HUMANO.


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quarta-feira, 30 de maio de 2012

AGORA ESTÁ PROIBIDA A EXIGÊNCIA DE CHEQUE-CAUÇÃO, NOTA PORMISSÓRIA OU PREENCIMENTO DE FORMULÁRIOS, POR PARTE DOS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE














 

Luiz Carlos Nogueira












Vejam aqui o texto da Lei n º 12.653/2012, sancionada pela Presidenta Dilma Roussef no dia 28/05/2012, que altera o Código Penal (Decreto-Lei 2.848/40), tipificando um novo crime relacionado com o artigo 135 (omissão de socorro), ou seja, tornando proibitiva a exigência do cheque-caução, por parte dos estabelecimentos de saúde que prestam atendimentos médicos-hospitalares emergenciais. Assim, a partir de agora, quem exigir o cheque-caução, para tratar um paciente em casos de emergência, estará sujeito à pena de detenção de três meses a um ano, além de multa.

Da mesma forma, também a lei proíbe aos estabelecimento de exigir nota promissória ou preenchimento de formulários administrativos, antes do paciente ser atendido.
 

Por conseqüência, os estabelecimentos hospitalares e as clínicas, deverão afixar em local visível, avisos que informem aos pacientes, de que constitui crime a exigência de cheque-caução, nota promissória ou preenchimento de formulários.


E AGORA, QUEM RESPONDERÁ PELOS CALOTES?


NÃO SE AFLIJAM! - VAI FICAR MUITO FÁCIL ADMINISTRAR AS FINANÇAS DOS ESTABELECIMENTOS HOSPITALARES E CLÍNICAS. BASTARÁ QUE CONTRATEM MÁGICOS DO TIPO MANDRAKE, PARA SUPRIREM  SEUS  DESEQUILÍBRIOS FINANCEIROS. SIMPLES, NÃO É MESMO?




Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos




Acresce o art. 135-A ao Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, para tipificar o crime de condicionar atendimento médico-hospitalar emergencial a qualquer garantia e dá outras providências.


A PRESIDENTA DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: 


Art. 1o  O Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, passa a vigorar acrescido do seguinte art. 135-A: 


Art. 135-A.  Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial:  

Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. 

Parágrafo único.  A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.”


Art. 2o  O estabelecimento de saúde que realize atendimento médico-hospitalar emergencial fica obrigado a afixar, em local visível, cartaz ou equivalente, com a seguinte informação: “Constitui crime a exigência de cheque-caução, de nota promissória ou de qualquer garantia, bem como do preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial, nos termos do art. 135-A do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal.” 


Art. 3o  O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei. 


Art. 4o  Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 


Brasília, 28 de maio de 2012; 191o da Independência e 124o da República.
  

DILMA ROUSSEFF
José Eduardo Cardozo
Alexandre Rocha Santos Padilha
Eva Maria Cella Dal Chiavon



Este texto não substitui o publicado no DOU de 29.5.2012

quinta-feira, 10 de maio de 2012

O STJ bloqueou verba da Advocacia Geral da União, para garantir o fornecimento de remédios a dois cidadãos gaúchos.





















Luiz Carlos Nogueira


















Para garantir o fornecimento de medicamentos a dois cidadãos gaúchos, o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ),  ministro Ari Pargendler, manteve a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4ª) que havia confirmado as sentenças do Juízo Federal de primeira instância,  que bloquou recursos  (verbas) no orçamento da Advocacia Geral da União (AGU), no valores de R$ 41.585,94 e R$ 45.246,00, respectivamente, não obstante a União haver contestado as decisões, sob o argumento de que o fornecimento de remédios é de competência do Ministério da Sáude, e que ela, a AGU apenas exerce a função de representá-la judicialmente.


Toda a controvérsia resultou de duas ações de obrigação de dar, ajuizadas contra a União Federal, nas quais os dois autores pleitearam o fornecimento de medicamentos de que necessitam.


Como houve descumprimento das ordens judiciais, o vice-presidente do TRF4ª determinou que se fizessem juntada de três orçamentos informativos dos custos dos medicamentos, para que se  pudesse determinar o bloqueio  das importâncias necessárias para atender o tratamento dos dois pacientes,  já que conforme disse o magistrado do TRF4: “Em   todas   as   manifestações   acostadas,   a   União   limita-se  a informar que dará prosseguimento ao procedimento de compra e que está em vias de fornecer o medicamento, sem dar efetividade à garantia assegurada judicialmente ao demandante”


É de se ressaltar o que o ministro Pargendler enfatizou na decisão: “Não    jurisdição  sem  efetividade;  em  outras  palavras,  o Judiciário  é  inútil  se  não  tem  força  para  fazer  cumprir  suas decisões.”


 Disse ainda, o ministro, que não obstante a AGU tenha aparente razão, porque se diz apenas responsável pela representação judicial dos três poderes da república, e que por isso não pode ter suas verbas sequestradas para atender encargos de outros órgãos que não lhes são afetos, como no caso — O Ministério da Saúde, ainda assim, a eventual suspensão das decisões do TRF4 seria reconhecer que o Poder Executivo só cumpre as decisões do Judiciário — quando quer.



Veja a seguir, a decisão do presidente do STJ, na íntegra:




Superior    Tribunal    de Justiça


SUSPENSÃO  DE  LIMINAR  E  DE  SENTENÇA    1.570  -  RS  (2012/0090654-0)

REQUERENTE
: UNIÃO

REQUERIDO
: TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL  DA  4A  REGIÃO
INTERES.
: MUNICÍPIO  DE  PORTO  ALEGRE
ADVOGADO
: CRITIANE  DA  COSTA  NERY
INTERES.
: CARLOS  VOLNEI
JOSENDE  NEMITZ
ADVOGADO
: DIANA  AMORIM  LORENZATTO  E  OUTRO(S)
INTERES.
: ESTADO  DO  RIO
GRANDE  DO  SUL
ADVOGADO
: CAROLINE  SAID
DIAS
INTERES.
: LUIZ  DORNELES
JACOBOSKI
ADVOGADO
: LUIZ  CARLOS  BUCHAIN


DECISÃO



1. Os autos dão conta de que Carlos Volnei Josende Nemitz ajuizou ação constitutiva de obrigação de dar contra a União e outros (fl. 46/68).

O MM. Juiz da 4ª Vara Federal Substituto de Porto Alegre, RS, Dr. Jurandi Borges Pinheiro julgou o pedido procedente "para determinar que forneçam tanto a União como o Estado do Rio Grande do Sul e o Município de Novo Hamburgo, ao autor, o medicamento arrolado sob o item c dos pedidos da exorial" (fl. 74).

Mantida a sentença pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, relator o Juiz Jorge Antônio Maurique (fl. 99/110), a União interpôs recursos especial (fl. 111/133) e extraordinário (fl. 134/155) - ambos sobrestados pelo Vice-Presidente daquele tribunal (fl. 159 e 160).

À vista da notícia de descumprimento da ordem judicial (fl. 173/174), o Vice-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região proferiu a seguinte decisão:

"Conforme já abordei em decisão anterior, e tal situação não foi revertida até o momento, constata-se que o medicamento a que faz jus a parte autora foi fornecido apenas até o mês de outubro de 2011 (fl. 537). Desde então, o autor busca ver implementada a determinação judicial no que se refere às próximas doses, porquanto necessita de tratamento contínuo, sem obter êxito.

A União já foi intimada a restabelecer o fornecimento da medicação, impondo-se multa diária de R$ 50,00 (cinquenta reais), e, ato contínuo, a multa restou majorada.

         Em todas   as   manifestações   acostadas,   a   União   limita-se  a informar que dará prosseguimento ao procedimento de compra e que está em vias de fornecer o medicamento, sem dar efetividade à garantia assegurada judicialmente ao demandante.

Na decisão da fl. 557 determinei a juntada de três orçamentos que demonstrassem o custo do medicamente, de forma a permitir o bloqueio da verba necessária ao tratamento do autor.

A  parte  autora  acostou  os  documentos  às  fls.  560-563.

Analisando os orçamentos, verifica-se que o tratamento de menor custo importa em R$ 41.585,94 (quarenta e um mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e quatro centavos).

Destarte, determino o bloqueio de R$ 41.585,94 (quarenta e um mil, quinhentos e oitenta e cinco reais e noventa e quatro centavos), diretamente da União (AGU - CNPJ 26994558/0001-23).

Encaminhe-se esta decisão à Vara de origem para cumprimento, bem como para que, efetuado o bloqueio, sejam os valores imediatamente liberados à parte autora, que deverá prestar contas da importância recebida, no prazo de 10 (dez) dias.

Por fim, ressalto que, acaso a União cumpra espontaneamente a medida antes de ser liberada a importância acima referida, ficará sem efeito a determinação de bloqueio" (fl. 198/199).

2.       Com causa de pedir semelhante, Luiz Dorneles Jacoboski ajuizou ação constitutiva de obrigação de fazer contra a União (fl. 566/578), a qual teve o mesmo desfecho: julgado procedente o pedido (fl. 614/626) e mantida a sentença, quanto ao fornecimento da medicação, pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (fl. 627/638 e 651/657), os recursos especial e extraordinário estão sobrestados naquele tribunal. Noticiado o descumprimento da obrigação, o Vice-Presidente do tribunal a quo determinou o bloqueio de R$ 45.246,00 (quarenta e cinco mil, duzentos e quarenta e seis reais)
-       fl.  792/793  e  807.

3.         Seguiu-se o presente pedido de suspensão de liminar ajuizado pela União, alegando grave lesão à ordem pública, bem como flagrante ilegitimidade (fl. 01/09).

A  teor  da  petição:

"Ao se prever que as verbas do órgão de representação judicial da União, no âmbito de defesa de seus três poderes, acabem por estar vinculadas ao cumprimento de decisões judiciais que devem ser efetivadas por outro órgão, qual seja, o Ministério da Saúde,representa clara invasão ao processo de elaboração de lei orçamentária, pelo Judiciário.

Isso porque a decisão acaba por determinar que a União transfira recursos de uma categoria de programação para outra ou de um órgão para outro sem prévia autorização legislativa, o que é vedado pela Constituição da República (art. 167, inciso VI, da CRFB), e ocasiona um desequilíbrio fiscal, ofendendo assim a ordem político-administrativa. É ler:

.........................................................

Percebe-se, assim, que a decisão vem afrontar diametralmente a lei orçamentária anual, Lei nº 12.595, de 19.01.2012, que veio estimar a receita da União para o exercício financeiro de 2012, distribuindo-a entre os seus poderes e órgãos, além de representar, por via transversa, uma velada forma de enfraquecer a defesa da União.

Não se pode perder de vista que a Advocacia-Geral da União, nos termos do art. 131 da Constituição Federal, vem ser a instituição que, direta ou através de órgão vinculado, representa a União, judicial e extrajudicialmente, no âmbito de seus três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário. Assim, vincular o orçamento do órgão de representação judicial para cumprimento das obrigações de seus representados revela procedimento, no mínimo, incorreto e enfraquecedor da advocacia pública e, por consequência, de um dos pilares do Estado Democrático de Direito.

.........................................................

Percebe-se que, de forma diferente, mas com finalidade análoga, a decisão do TRF-4ª Região extrapola os limites da legalidade e transgride as prerrogativas dos membros da Advocacia-Geral da União. O desempenho das atividades profissionais sob preceitos éticos pelos integrantes da Advocacia-Geral da União não pode ser maculado por medidas coercitivas, indevidamente aplicadas por juízes, o que não implica que a União se esquive de suas obrigações legais e constitucionais.

Contudo, mesmo que não seja esse o entendimento a ser adotado, frontal seria a lesão, já mencionada, à norma disciplinada pelo art. 167, inciso VI, da Constituição; isso porque a decisão acaba por determinar que a União transfira recursos de um órgão para outro sem prévia autorização legislativa, Advocacia-Geral da União para o Ministério da Saúde. Do contrário, por ser órgão da União, até mesmo o orçamento do próprio Tribunal poderia ser bloqueado, o que  até se mostraria, adotando-se um raciocínio pragmático, mas
efetivo, diante da agilidade no cumprimento, do que as verbas da própria Advocacia-Geral da União" (fl. 04/08).

4.  Não    jurisdição  sem  efetividade;    em  outras  palavras,  o Judiciário  é  inútil  se  não  tem  força  para  fazer     cumprir  suas

decisões.

A  situação  sub  judice  é  emblemática.

Duas sentenças, confirmadas por tribunal regional federal, com recursos especial e extraordinário sobrestados à espera de pronunciamento do Supremo Tribunal Federal a respeito do direito à saúde, são objeto de extrema desconsideração por órgãos da União, com prejuízo aos autores da ação que necessitam dos medicamentos que lhes são sonegados.

Quid  ?

Aparentemente tem razão a Advocacia-Geral da União quando afirma que é responsável pela representação judicial dos três poderes do Estado, não podendo suas verbas ser sequestradas para atender necessidades a cargo de outros órgãos, na espécie o Ministério da Saúde.

Acontece que, nas palavras do Vice-Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, Juiz Luiz Carlos de Castro Lugon,

"Determinado o bloqueio da importância necessária à continuidade do tratamento da parte recorrida (fl. 498), a magistrada a quo noticia não ter logrado êxito na diligência, porquanto ausente qualquer valor nas contas bancárias do Ministério da Saúde e do Fundo Nacional da Saúde" (fl. 807).

A suspensão dos efeitos de tal decisão que, ante esse fato surpreendente, procurou executar o acórdão de um modo possível implicaria o reconhecimento de que o Poder Executivo só cumpre os ditames do Judiciário quando quer, e - mais do que isso - que o Judiciário, na pessoa do Presidente do Superior Tribunal de Justiça, está de acordo com isso.

O apelo ao Poder Judiciário para reparar lesão a direito individual é ineliminável nos termos da Constituição, e o juiz fraudará sua missão se não ouvi-lo; a tanto se assimila o procedimento de quem reconhece o direito individual, mas se omite de dar-lhe efetividade.

Outra seria a solução, se a Advocacia-Geral da União induzisse o Ministério da Saúde a cumprir o julgado ou - quando menos – se indicasse outro meio de alcançar esse resultado. Indefiro, por isso, o pedido.

Intimem-se.

Brasília,  09  de  maio  de  2012.


MINISTRO  ARI  PARGENDLER
Presidente